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PiTacO do PapO - 'High Flying Bird | 2019

NOTA 7.5

Por Karina Massud @cinemassud 


É.. parece mesmo que a  Netflix está “roubando” todos os grandes diretores de Hollywood, talvez pela liberdade criativa que proporciona em suas parcerias (isso sem falar na grana!), vide os Irmãos Coen ('A Balada de Buster Scruggs'), Paul Greengrass ('22 de Julho'), Dan Gilroy ('Velvet Buzzsaw') e Alfonso Cuáron ('Roma'). Agora Steven Soderbergh (de “Onze Homens e Um Segredo” e “Traffic”) estréia no serviço de streaming o drama esportivo “High Flying Bird”, seu segundo longa filmado exclusivamente com a câmera de um iPhone (o primeiro foi o terror psicológico “Distúrbio” de 2018). Que época maravilhosa vivemos onde se pode fazer um filme muito bom com um simples celular!


O fio condutor do filme é uma greve trabalhista (o famoso “locaute”) na NBA, a liga de basquete americana, que suspende o início da temporada, os salários dos jogadores e agentes, as instalações dos times não podem ser usadas e treinamentos são cancelados até que os atletas e os cartolas cheguem a um acordo financeiro. Ray Burke é um agente de jogadores de basquete em meio ao furacão da greve que está tentando salvar seu emprego e principalmente seu mais novo cliente, Erick Scott, que acaba de assinar contrato achando que se tornaria uma estrela milionária da NBA.

A trama geral é bem simples (greve e negociatas) em contraponto com a engenhosidade do plano bolado por Ray para superar o impasse da greve trabalhista. O roteiro faz uma crítica ácida à liga de basquete, comparando por diversas vezes os atletas negros e seus contratos com exploração e escravidão, sugerindo que eles são peças descartáveis nas mãos dos agentes que os usam visando os bilhões em franquias e patrocínio. Basquete é esporte e emoção, mas acima de tudo é um negócio onde gira uma quantidade fabulosa de dinheiro, os cartolas são inescrupulosos enquanto os jogadores são apaixonados.

Esse é um drama de basquete que não se passa nas quadras e sim nos bastidores delas, nos escritórios luxuosos e mesas de restaurantes onde se fazem negociações. Intercalados a essas transações, temos depoimentos muito interessantes de jogadores reais que contam suas experiências, inseguranças e alegrias, dando um toque de documentário bacana ao longa. O plano arquitetado por Ray vai crescendo e gerando suspense até seu ápice, que é bom mas poderia ter sido mais lento e melhor desenvolvido nas sequências finais.

Vale Ver !




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