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'Ó Paí, Ó 2' : após quinze anos, sequência reforça apelo político | 2023

NOTA 6.0 

Por Rogério Machado 


Há 15 anos chegava às salas a primeira incursão de Roque e  a turma do cortiço imprimindo novidade no nosso audiovisual, que ainda não estava totalmente acostumado a difundir as brasilidades de um cinema regional. 'Ó Paí, Ó' trazia como marca registrada um elenco diverso e essencialmente negro, com sotaque baiano, muita música e um humor ágil muito característico que marcou época. A sequência chega mais de uma década depois com muitos desses temperos, mas ainda mais político do que nunca. 

Depois de quinze anos muita coisa aconteceu, amigos novos chegaram, alguns partiram, mas Roque (Lázaro Ramos) ainda aposta no seu velho sonho. Dessa vez, a animação é grande porque chegou a hora de lançar a primeira música e decolar como cantor. A alegria só não é geral porque Dona Joana (Luciana Souza) segue abalada com a perda dos filhos e às voltas com o cortiço movido a confusões. Pra completar a tristeza, Neuzão (Tânia Tôko) perdeu o bar por conta de uma jogada suja. Agora, Roque e sua turma vão juntar a Festa de Iemanjá e sua estreia musical para ajudar a recuperar o ponto de encontro dessa turma super animada. 

Mais uma vez Lázaro Ramos retorna à sua terra natal se junta ao lendário Bando de Teatro Olodum que trazem de volta seus personagens que já entraram pro hall de figuras icônicas do nosso cinema. A sequência tem toda a alegria do filme anterior, mas falta aqui investir mais no que tornou o primeiro filme marcante: seus personagens, tão semelhantes mas tão diversos. A direção de Viviane Ferreira foca na representatividade negra, na cultura, nas crenças e não deixa espaço para desenvolver os arcos de personagens mais interessantes, como Dona Joana (a sempre ótima Luciana Souza) , que está perdida após a morte dos filhos e está procurando a ajuda de um psicólogo (Luis Miranda). De uma sequência inicial tão promissora, a drama de Joana é deixado de lado e o roteiro prefere panfletar a Bahia e suas cores. 

Não quero dizer aqui que a representatividade não seja importante, evidente que sim, ainda mais num país tão racista, mas acredito que um corpo negro e sua arte revelada já é político por si só, e não haveria a razão de ser tão literal. Isso pode ser comprovado quando Roque abre o filme falando de um país dividido. Em se tratando de representatividade, o longa e toda a sua estrutura já evidenciem isso, que começa em uma cineasta negra além de um elenco majoritariamente afrodescendente. No fim das contas 'Ó Paí, Ó 2' tem saldo positivo, não só por trazer de volta a alegria e o regionalismo na telona, mas por trazer todo o sentimento nostálgico de um Brasil que festejava mais ao invés defender um lado. 






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