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PiTacO do PapO - 'Roda Gigante' | 2017

NOTA 8.0

Por Rogério Machado


Woody Allen é daquele tipo de diretor que incita o sentimento que motiva a frase:  'ame-o ou deixe-o'. É fato que muita gente não consegue se identificar com o modo de fazer cinema do diretor e que não cogitam segundas chances em produções vindouras vindas das mãos do cineasta. Devo confessar que sou do time que gosta da pegada de Allen - ele tem um jeito delicado e arrogante ao mesmo tempo de tratar das relações, que por sua vez resultam em obras próximas do nosso dia a dia, palpáveis à qualquer um de nós. 

'Roda Gigante', seu mais novo filme que acabou de estrear em circuito comercial depois de passar pelo Festival do Rio, é mais um filme com a marca de Woody, mas ao mesmo tempo, devo dizer, com algumas características poucas vezes assumidas em suas produções. O longa é com toda certeza,  ao meu gosto pelo menos,  a melhor coisa do diretor desde 'Blue Jasmine' (2013), que rendeu inclusive indicações ao Oscar de melhor atriz e atriz coadjuvante à Cate Blanchett e Sally Rawkings, respectivamente. 


A história de 'Wonder Wheel' (no original)  se passa em Coney Island, Nova York, na década de 1950, onde seremos apresentados à Ginny (Kate Winslet), mãe de Richie (Jack Gore), fruto de um casamento anterior, um garoto problemático que adora colocar fogos nas coisas,  e esposa de um operador de carrossel, Humpty (Jim Belushi), que trabalha em um parque na praia desse charmoso local. Ela conhece Mickey (Justin Timberlake) um salva-vidas e aspirante à escritor que também trabalha na praia e acaba se apaixonando por ele. Quando Carolina (Juno Temple), filha de Humpty volta para casa depois de se envolver com um mafioso, ela inevitavelmente também se apaixona por Mickey e a roda dos desejos e da paixão começa a girar.

O roteiro, também de Allen, salienta as diferenças entre os sexos: enquanto homens se revelam inconsequentes e ousados, as mulheres demonstram insegurança e são extremamente sensíveis, aliás como quase sempre as mulheres são retratadas por ele. Porém, em 'Wonder Wheel', as mulheres de Allen têm um 'q' de vilania, maldade, ainda que não se deem conta disso. Kate Winslet é o grande achado da produção, entregando uma atuação digna da atriz que ela representa pra sua geração. Sua personagem é uma romântica inveterada,  mas também tem nuances neuróticas e doentias. 

Em suma, Woody Allen nos conta sobre amor ou a falta dele, e de como se entregar cegamente à paixão pode ser deveras arriscado: essa analogia é ilustrada pela inclinação de Richie (o filho de Ginny) à pirotecnia -  assim como a atitude inconsequente do garoto, todos ali demonstram uma certa predileção, cada um à sua maneira, em brincar com o fogo das paixões. Como numa roda gigante, em que uma hora se está em cima e outra em baixo, assim é lidar com o sentimento... não tem como ficar no topo o tempo todo.

Esse parque de diversões, como bem descreve Ginny em dado momento, é um mundo de fantasia brega e barulhento.  


Vale Ver !

DIREÇÃO
Woody Allen

EQUIPE TÉCNICA
Roteiro: Woody Allen
Produção: Edward Walson, Erika Aronson, Letty Aronson
Fotografia: Vittorio Storaro
Estúdio: Amazon Studios, Gravier Productions, Perdido Productions
Montador: Alisa Lepselter
Distribuidora: Imagem Filmes

ELENCO
Bobby Slayton, Danielle Ferland, David Krumholtz, Debi Mazar, Ed Jewett, Geneva Carr, Gregory Dann, Jack Gore, Jacob Berger, Jenna Stern, Jim Belushi, John Doumanian, John Mainieri, Juno Temple, Justin Timberlake, Kate Winslet, Maddie Corman, Max Casella, Michael Striano, Michael Zegarski, Nico Petrosino, Robert C. Kirk, Steve Schirripa, Tom Guiry, Tommy Nohilly, Tony Sirico, Ziada Zienna





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