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PiTacO do PapO - 'Albatroz' | 2019

NOTA 8.0

Homens e ratos 

Por Rogério Machado

Mas quem foi que disse que tudo precisa fazer sentido? Se nem na vida real tudo necessariamente requere lógica, quem dirá no cinema. 'Albatroz' , o terceiro trabalho do cineasta Daniel Augusto (o segundo ficcional) , traz uma trama engenhosa dentro de um nicho raramente explorado no nosso cinema nacional: a ficção (quase científica) com pitadas de suspense psicológico. De cara o filme sai na frente por não se prender ao modelo 'arroz com feijão' de fazer cinema por aqui. A produção saiu do papel graças ao respaldo do produtor e roteirista Braulio Mantovani, de filmes como 'Cidade de Deus' e 'Tropa de Elite.'


Na história seremos introduzidos a Simão (Alexandre Nero), um fotógrafo que é casado com Catarina (Maria Flor), uma compositora de jingles publicitários.  Depois de atuar como fotógrafo em uma peça teatral, ele se apaixona pela atriz judia Renée (Camila Morgado), com quem viaja a Jerusalém. Lá ele acaba registrando um atentado terrorista, o que acaba o tornando um profissional mundialmente famoso. Ao mesmo tempo em que ele recebe um grande prêmio de fotografia, surgem críticas negativas por ele ter fotografado ao invés de tentar evitar a tragédia. Simão entra em um estado de apatia e fica na fronteira entre realidade, sonho e delírio.

Após viver o que parece ser um experimento artístico-científico comandado por Alícia (Andrea Beltrão) e executado pela Dra. Weber (Andreia Horta), tudo começa a  se revelar uma complexa e terrível armadilha. Incapaz de saber se está dentro de um sonho ou vivendo a realidade, Simão enfrenta fantasmas do passado e teme estar sendo usado em uma sinistra conspiração política de consequências potencialmente catastróficas.

Antes de mais nada é imprescindível dizer que 'Albatroz' não se trata de um filme fácil. Não espere respostas lógicas ou diretas, não espere sair com os pensamentos devidamente organizados. Tentar 'encaixotar' o plot apresentado na tela é praticamente impossível. Basicamente, você precisa saber que nosso protagonista é atraído involuntariamente (o que parece ser uma organização) para um experimento que fotografa sonhos.  No meio disso está um casamento recente , uma ex mulher vingativa, e uma terceira mulher misteriosa que atrai o amante para essa arapuca justamente pela bagagem visual de um homem que trabalha com imagens. 

Na abertura já recebemos pistas que homens podem se comportar como ratos quando submetidos à uma experimentação científica,  e o que diferencia um homem do outro é a maneira como cada um responde quando expostos aos seus medos. Daniel Augusto poderia ter escolhido muitas maneiras de ter contado sua história, mas preferiu adotar um roteiro inconvencional, aliados à uma fotografia bem trabalhada, montagem e edição de som que poucas vezes vemos dentro do nosso cinema. A mim, devo confessar, que o excesso de recortes, telas brancas e efeitos incomodou um pouco, mas nem de longe tiram o brilho de uma obra tão inventiva, cujo apelo estético é sua maior marca.  


Vale Ver !


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