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PiTacO do PapO - 'O Último Lance' | 2019

NOTA 6.5

Por Rafael Yonamine @cinemacrica


O rebuscado mercado de pinturas é o meio em que o protagonista Olavi recorre como principal atividade econômica. O que já fora mais próspero, agora traz poucos rendimentos e um acúmulo contínuo de dívidas. A insinuação de que o idoso personagem tem o peso da idade associado a métodos de trabalho arcaicos como causa do atraso profissional é evidente. Por outro lado, a experiência lhe confere um conhecimento diferenciado sobre esse mercado. O tema central abarca esses dois elementos: Olavi se dá conta de que o quadro de um artista renomado será leiloado com uma subprecificação pelo fato de não estar assinado. Mesmo com o preço inicial baixo, há dificuldade de levantar o montante para o arremate.


Se a sinopse já trouxe um sabor esquemático de elaborar conflitos, já adianto que outras estruturas narrativas fazem o mesmo. É claramente uma obra que segue fórmulas sem lampejos de brilhantismo. Iniciado pela oposição do profissional decadente que pode ser salvo pela experiência no campo profissional, o roteiro nos conduz a uma construção similar no espectro familiar. Olavi, o arquétipo do homem de idade avançada e conservador é forçosamente colocado na presença do neto. A artificialidade dessa inserção é empobrecida numa nova empreitada esquemática: o avô retrógrado e solitário, que num primeiro momento reluta em conviver com o neto, acaba se tornando mais flexível ao ponto dessa relação render afeto e êxito econômico. Arcos pobres e previsíveis.

O roteiro também desliza no exagero das revelações mal construídas. A porção investigativa da obra tem uma cadência demasiadamente acelerada. As escolhas feitas para representar essas revelações não são inspiradoras e afloram numa facilidade inverossímil. Pese nisso a ausência de interpretações diferenciadas.

É um filme mediano que insiste em construções pobres. Não faltam, por exemplo, exemplos visuais  para nos instruir e reinstruir que, de fato, Olavi é retrógrado ou que tem dificuldades financeiras. Nesse filme finlandês, fica a amostra do que seria o resultado da visita de um produtor de Hollywood à Escandinávia.


Vale Ver Mas Nem Tanto!



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