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PiTacO do PapO - 'Rainha de Copas' | 2019

NOTA 9.0

Por Rafael Yonamine @cinemacrica 


A inserção de um corpo estranho é o que faz as engrenagens saírem da inércia. A incitação do estímulo, dessa vez, recorre a peças da máquina familiar. O casal, Anne e Peter, bastante aderente ao que estabelecemos como bem sucedido, vive com suas filhas num padrão de vida distinto, fruto de carreiras profissionais estabelecidas. O cotidiano ganha novos contornos quando o filho problemático de outra relação de Peter passa a integrar a família.


"Rainha de Copas" segue o tipo de fluxo que ganha intensidade ao longo do tempo e, nas primeiras investidas, oferece algum grau de previsibilidade. É fundamental, entretanto, distinguir o descuido do premeditado. Nesse caso, há uma clara concessão inicial como recurso estrutural para a posterior oferta de uma recompensa em formato de poderoso golpe dramático.

O longa é preciso em elencar contradições humanas e o poder do nosso instinto. Anne, advogada habituada a lidar com casos de maus tratos infanto-juvenis, depara-se com o exercício diário de lidar com um garoto problemático em sua casa. O embate é construído com persistentes e precisas marteladas: tanto do lado profissional com exemplos curtos e assertivos, quanto dentro de casa na posição de madrasta. De forma extremamente habilidosa, a figura rígida do legislativo encarnada nessa chefe do lar, transfigura-se para a face desnuda da nossa essência. Esse processo de convencimento é amplamente facilitado pela interpretação irretocável de Trine Dyrholm.

A metáfora do título também é genial. As menções a "Alice no País das Maravilhas" não deixam dúvidas que a rainha de copas do conto é a matriarca. Assim como na fantasia, a resolução de problemas é autoritária e violenta. Filme muito acima da média, diretora nova e que merece ser acompanhada. May el-Toukhy, anotem esse nome.


Vale Ver !


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