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A odisseia feminina à liberdade em 'Aves de Rapina' | 2020

NOTA 9.5

De mulher pra mulher, Marisa Rapina

Por Vinícius Martins @cinemarcante

A DC tem passado por reformulações importantes em sua estrutura cinematográfica. Desde o início de seu universo compartilhado, com 'O Homem de Aço' lá em 2013, a qualidade dos filmes passou por uma montanha russa de variações que vão de um épico cult indicado a onze Oscar em 2020, 'Coringa', até o narrativamente conflitante 'Batman vs Superman', de 2016. Nesse festival de altos e baixos que dividem a crítica e polarizam o público, houve a necessidade de se ignorar alguns pontos e "rebootar" algumas histórias, e 'Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa' traz de volta a melhor coisa de 'Esquadrão Suicida': a Arlequina, que agora tem seu próprio filme "solo". Com sua trama mais focada no submundo do crime e com os pés no chão em um roteiro mais contido, sem a megalomania de fim do mundo e coisas do tipo, as mulheres fazem bonito e compõem a primeira equipe feminina da DC a chegar às telonas.


Sem meias palavras, o longa de Cathy Yan é um manifesto feminino belíssimo e muito bem orquestrado. O que Yan cria aqui é uma versão de 'Deadpool' com mulheres, mas de uma maneira muito melhor. A quebra da quarta parede e os constantes - e muito bem colocados - flashbacks, que dão ao enredo um aspecto não linear mas ainda assim perfeitamente fluente, contribuem para a imersão na atmosfera caótica que a Arlequina emana. O filme é de uma simplicidade explosiva: mulheres sem nenhum assunto em comum lutam, cada uma a sua maneira, para conseguir sair das sombras dos homens que vivem ao redor; e então se unem em busca da emancipação a que o título faz referência. Seja pelas figuras de um chefe de polícia antiético, em um pai adotivo agressivo, um patrão mafioso sem escrúpulos ou em um ex namorado psicótico, todas as mulheres do filme tem motivos para procurarem sua libertação e assumirem o cargo de donas de si mesmas. É uma sinfonia de autoempoderamento que cresce, cresce e, quando pensamos que não poderia ficar ainda maior, cresce ainda mais como uma caricatura animada do espírito inquieto das mulheres que almejam serem justiçadas.

A produção brinca com a percepção sobre si mesma, e se impõe a uma ideologia que, apesar de ilustrativamente violenta, assina um alvará de concessão às mulheres o poder de fazerem o que quiserem, lembrando a todas que a independência está a uma vontade de distância - e isso é lindo de ver. A escolha de não sexualizar a figura da Arlequina, como foi feito no filme de David Ayer, é um acerto extra que só confirma ao público masculino que as mulheres são mais do que só "pedaços de carne". Aqui as mulheres combatem o crime enquanto estão prendendo o cabelo, montam uma liga de justiceiras nas sombras de Gotham, e rabiscam o nome tatuado do ex namorado. As mulheres são foda, e o filme é um lembrete para cada uma delas: super-heróis não usam só cueca e não fazem só salvar o mundo. Às vezes tudo do que se precisa para salvar o dia é uma maquiagem borrada e um taco de baseball.


Super Vale Ver !






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