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Suspense policial e vulnerabilidade feminina em 'O Limite da Traição' | 2020

NOTA 7.0

Por Karina Massud @cinemassud 


Tyler Perry; ator, produtor, roteirista e milionário da indústria cinematográfica (em 2009 foi classificado pela revista Forbes como o sexto homem mais bem pago em Holllywood)  em “O Limite da Traição”, sua primeira produção na Netflix , passeia por gêneros diversos: suspense policial, drama de tribunal e o frágil universo de mulheres inseguras (feministas de plantão por favor não me apedrejem, é fato que esse grupo existe firme e forte ainda hoje).


Grace é uma mulher madura, divorciada e com um bom emprego que certo dia - quando já tinha perdido as esperanças de encontrar um amor - conhece Shannon, um fotógrafo descolado,charmoso e sedutor mas igualmente pilantra, afinal de contas “quando a esmola é demais o santo desconfia”. Porém, a ingênua Grace, que acha estar vivendo um conto-de-fadas, é presa e acusada de matar Shannon depois de mil golpes dados por ele. E para completar a situação ela será defendida por Jasmine, jovem advogada conhecida por fazer acordos horríveis para seus clientes, mas que decide dar uma guinada na vida e investigar o caso mais a fundo.

Mais interessante do que o drama de Grace é o drama da advogada Jasmine, tida como medrosa e incompetente por só fazer acordos para os clientes e não lutar por eles no tribunal. Ela é  massacrada não só pelos colegas de trabalho por seguir as ordens do chefe (que se aproveita dessa insegurança aliada à inexperiência pra fazer dela de gato e sapato) como também pelo marido, que sabe que ela tem potencial para mais do que acordos judiciais capengas. Tanto Rose quanto Jasmine são mulheres frágeis, uma insegura quanto à profissão e a outra quanto à autoestima, e por isso vítima de relacionamentos abusivos ao longo da vida. O roteiro poderia ter mostrado uma guinada dessas mulheres, mas não, ele presta um desserviço pro universo feminino e feminista.

Uma história que teve o potencial desperdiçado pelo elenco e roteiro. O elenco é bem mediano, os personagens ficaram devendo interpretações melhores e com maior profundidade, visto que todos são dúbios e despertam interesse. O roteiro tem muitos furos visíveis para qualquer pessoa desligada ou que cochile no meio da trama. “Como ela escapou das algemas?!” ...“Como ele conseguiu sobreviver?!” Absurdos que causam risos. O que deveria causar impacto, sem intenção, acaba sendo hilário.

Há uma reviravolta na terceira parte que se tivesse sido menos exagerada convenceria mais, mas houve uma certa megalomania do diretor que tornou desnecessariamente o drama investigativo em um suspense à la “Silêncio dos Inocentes”, deixando essa parte final super deslocada do restante da trama.

Eu poderia até escrever esse texto para a coluna “Escracho” do Papo, no entanto, apesar dos pontos baixos do filme, “O Limite da Traição” não decepciona totalmente e vale a pena ser visto, porque a condução te deixa intrigado pra conhecer o desfecho e saber exatamente quem é mau e quem é bom na trama (eu mesma tive um palpite certeiro antes da metade do filme).  Aproveite a quarentena e dê um play nele!


Vale Ver !



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