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'A Casa dos Prazeres': longa aborda a dinâmica das casas de prostituição com trama sexy e realista | 2023

NOTA 6.5

Por Marcello Azolino @pilulasdecinema


Após relativo sucesso com um livro, Emma (Ana Girardot) passa pelo ostracismo do “Bloqueio criativo” para escrever sua próxima obra na cidade de Berlin. No entanto, o mundo da prostituição chama a atenção da escritora, que decide fazer laboratório e se passar por uma prostituta de nome Justine para registrar todas as experiências possíveis capturadas a partir de seus clientes. Justine se instala em um bordel chamado La Maison, e passa a interagir com outras garotas de programa e paralelamente lidar com as consequências pessoais da sua nova vida no âmbito familiar e na vida afetiva. 

Dirigido com esmero pela francesa Anissa Bonnefont, 'A Casa dos Prazeres' não poupa em relação a crueza da vida no prostíbulo, mas o faz com uma plasticidade sensual e usa e abusa de nudez e cenas picantes capturadas sempre de forma sexy e bem contextualizadas. A belíssima atriz Ana Girardot inclusive se entrega de corpo e alma para o papel, que abraça o despudor e explora seu corpo como um instrumento para contar a história.

O roteiro traz pinceladas de histórias paralelas das outras meninas que circundam o mundo de Justine, com especial destaque para a musa de Pedro Almodóvar, Rossy de Palma, que interpreta a espanhola Brígida, uma espécie de tiazona das meninas que cozinha, ainda faz programa e acolhe a todas elas nos momentos de intimidade em boas cenas na sala de espera para os próximos programas.

Esta história, que de certa forma traz um ar familiar aos brasileiros por conta da saga de Bruna Surfistinha (O Doce veneno do Escorpião), também é baseada no livro da verdadeira Emma Becker, que aos 31 anos passou dois anos e meio trabalhando como prostituta em dois prostíbulos berlinenses. A obra recebeu o Prix du Roman des Étudiants da Rádio France Culture.

O terço final do filme foca na tentativa conturbada de Emma tentar levar a vida como prostituta e conciliar uma relação amorosa com um bartender alemão Ian (Lucas Englander), algo que merecia mais profundidade. Além disso, o desfecho pouco explora os desdobramentos do livro La Maison, após a rotina intensa nos prostíbulos. Faltou uma finalização mais acurada da obra, mas nada que comprometa a experiência geral desta história.






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