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PiTacO do PapO - 'Rei Lear' | 2018

NOTA 8.0

Por Karina Massud @cinemassud 


Rei Lear é um dos grandes clássicos mundiais, uma peça dramática   de William Shakespeare que narra a história do Rei da Grã Bretanha, que já idoso, decide dividir seu reino entre as 3 filhas, Goneril, Regan e Cordélia, que para isso tem de fazer uma declaração de amor e gratidão ao pai. Mas o Rei comete um erro: não satisfeito com o discurso da filha preferida, Cordélia, a expulsa e logo em seguida é traído pelas outras duas. Lear enlouquece e uma sucessão de fatalidades acontece, deixando rastros de sangue e mortes cruéis.


Essa obra-prima do teatro agora é trazida pela BBC/Amazon pros dias atuais numa fictícia Inglaterra em guerra contra a França,  mas com as mesmas linhas teatrais e trágicas. Trata-se de um filme difícil e desafiador devido ao linguajar arcaico de Shakespeare ter sido mantido, mas talvez a intenção do diretor Richard Eyre (que já filmou outros tantos longas de mesma densidade como “Henrique IV”, “Íris”, “Notas sobre Um Escândalo” e “O Fiel Camareiro”) fosse exatamente criar esse interessante contraste entre a roupagem moderna e as falas originais; por outro lado ele enxugou a trama para que não se tornasse cansativa, visto que o texto original traz mais emaranhados e minúcias. Hoje o autor é tido como erudito e algo inacessível, mas vale ressaltar que durante o século 17 o bardo era muito popular e suas peças eram apresentadas em praça pública no Teatro Globe para um público tanto de nobres como populares.

A beleza e atrativo do filme se encontram no elenco fabuloso (e todo britânico) e suas performances impecáveis. Anthony Hopkins, um ícone por si só, interpreta outro ícone que é o velho rei, que cansado e desiludido com todos passa de forte a vulnerável numa explosão de cenas hipnotizantes e de impacto. Emma Thompson também está soberba como a insaciável e perversa Goneril. Florence Pugh (atriz que ainda não recebeu o merecido reconhecimento) está brilhante como Cordélia, resignada com sua rejeição, mas forte, inteligente e obstinada pra virar o jogo. 

Os tipos e conflitos retratados continuam atualíssimos: disputa pelo poder, drama familiar, intrigas políticas, inveja, traição e muito sofrimento, todas as misérias humanas estão lá. Shakespeare é atemporal: nada mudou, nem a civilização e muito menos o ser humano.


Vale Ver !


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