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PiTacO do PapO - 'Virando a Mesa do Poder' | 2019

NOTA 8.5

A corrida às urnas em passinhos de formiga 

Por @karina Massud @cinemassud

Os EUA, apesar de serem um país de primeiro Mundo ainda usam um sistema eleitoral complicadíssimo e até arcaico, com cédulas de papel  e  votos distritais, o que dificulta a candidatura (e ainda mais eleição) de candidatos que não dispõem de verba e apoio enormes. O ato de se candidatar, por exemplo, requer um número de assinaturas de eleitores como pré-requisito.


“Virando a Mesa do Poder” é um documentário maravilhoso que acompanha a trajetória de quatro mulheres que concorreram ao Congresso Americano em 2018, mulheres comuns que decidiram se candidatar para ajudar sua comunidade. Mulheres empoderadas e obstinadas num ninho de serpentes onde predominam candidatos ricos, brancos e com patrocínios gigantes. Só por essas mulheres notáveis já vale assistir o longa. Mas o documentário, vencedor de dois prêmios no Festival de Sundance de 2019, é ótimo como um todo, muito bem dirigido e editado, com um roteiro envolvente de atmosfera alto astral. A diretora Rachel Lears mostra todo o processo: entrevistas com as candidatas, seus quotidianos , os bastidores fascinantes das campanhas, suas batalhas e o que as levou a se candidatarem. “Nós podemos e iremos vencer!”

Apesar do documentário seguir quatro candidatas, ele foca em Alexandria Ocasio-Cortez, democrata progressista formada em Relações Internacionais que se tornou garçonete depois da crise e resolveu se candidatar para defender os direitos da dita minoria (negros, latinos e LGTB, que hoje em dia já são maioria). Ela não aceita doações de grandes corporações porque não quer fazer concessões posteriores, algo que seu adversário Joe Crowley (que já ocupava o cargo por 15 anos) fazia. 

Alexandria é extremamente articulada, confiante e conhece as engrenagens da máquina estatal. Ela trabalhou arduamente na campanha: no corpo a corpo nas ruas, pedindo votos  e sobretudo pedindo pras pessoas irem votar, pois o índice de abstinência ainda é muito alto nos EUA onde o voto não é obrigatório. 

O filme não se trata de dividir os candidatos em heróis ou vilões, direita ou esquerda, mas sim de mostrar que na maior parte das vezes quem vence é o dinheiro. Em um cenário político com Trump na presidência, um republicano retrógrado e notoriamente xenófobo, candidatas como Alexandria são um alívio e uma esperança. Assim como ela, o documentário é poderoso e inspirador e seu desfecho  arrepiante!


Vale Ver !




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