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'Os Miseráveis' - 2020

NOTA 7.0

Por Rafael Yonamine @cinemacrica 


A França que se reúne para celebrar o título de um campeonato de futebol é a mesma que troca farpas entre seus grupos multiculturais e entidades. O cenário torna-se mais explícito quando saímos da harmonia central e analisamos a individualidade das interações grupais no subúrbio. A partir do olhar do novato policial Stéphane, os mecanismos sociais não românticos são expostos.


O recurso de desconstruir grupos, classes ou entidades e nivelar tudo sob o teto do instinto humano é o diferencial que se busca atingir. A perspectiva da nossa espécie é expressa com o viés pessimista da nossa índole, o que se mostra eficiente como elemento base para nos agrupar como seres comuns. As condutas questionáveis ou não esperadas para determinado grupo ou entidade, portanto, não se restringem aos naturalmente marginalizados como traficantes ou moradores de conjuntos habitacionais populares, mas estende-se à polícia, religiosos, crianças, etnias. Moradores do subúrbio desentendem-se entre si, a polícia não tem autoridade e não inspira moralismo, o ex-detento é quem expõe maior integridade, crianças são os pivôs dos conflitos. Assim, inverte-se a expectativa por uma realidade que dilapida conceituações tradicionais. Somos todos miseráveis.

A interessante proposta de dissecação num terreno ambíguo, no entanto, esbarra no uso de episódios não mobilizadores. A vazão das emoções seriam melhor absorvidas se os eventos gerassem mais empatia. O ápice da desmoralização policial, por exemplo, decorre de um caso desinteressante de abuso associado à negligência. Outras situações de mesma debilidade narrativa se repetem e tentam, ao final, gerar um processo reflexivo em cada um dos envolvidos. Ao invés de recorrer a demonstrações inteligentes, essa reflexão se apequena em planos que apenas filmam os personagens com o olhar distante.

Filme bom, mas a França merecia um representante melhor para o Oscar.


Vale Ver !


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