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Dica do Papo: 'A Viagem de Chihiro' | 2003

Por Eduardo Machado @históriadecinema


Hayao Miyazaki é, indiscutivelmente, o maior nome vivo do cinema de animação. Fundador do Studio Ghibli, suas animações conectam-se perfeitamente com o universo infantil, mas, nem por isso, deixam de ser complexas e profundas. Muito pelo contrário, aliás. “A Viagem de Chihiro” talvez seja o melhor exemplo de como Miyazaki consegue extrair simplicidade do fantástico, em uma linda jornada de autorreflexão.

No longa, conhecemos Chihiro, uma menina mimada que está em uma viagem de carro com os pais, quando eles pegam um caminho errado. Fora do carro, Chihiro entra um túnel misterioso, o qual, veremos, é uma porta para que ela se conheça melhor.


Acontece que esse enredo, nas mãos de um cineasta comum, poderia se tornar mais um filme “coming of age”  qualquer, contando uma história de amadurecimento. Miyazaki, entretanto, constrói uma película que transcende às questões pessoais da protagonista.

Ora, visualizando a cena dos pais da menina se fartando de comida, é fácil perceber a crítica ao consumismo exagerado, como também não é difícil atinar para a desaprovação do diretor aos governos corruptos, na figura de Yubaba.

Os mais sensíveis, porém, vão notar, além da crítica social, a real expressão de amor que Miyazaki inclui em seu filme. Detalhe presente no “gentileza gera gentileza” da relação de Chihiro com “Sem Rosto” e, sobretudo, na ligação dela com Haku, que nem precisa de beijo no fim. Afinal, como podemos comprovar nesse período de quarentena, o amor prescinde de contato físico.  A diferença é que Miyazaki já sabia disso muito antes da gente. Sorte dele, que ganhou um Óscar, e nossa que ficamos com uma obra-prima para apreciar. 



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