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'Jolt : Fúria Fatal' traz uma anti-heroína na curva entre o bem e o mal | 2021

NOTA 7.5

Por Karina Massud @cinemassud 

Sentir raiva de alguém - com aquela fúria assassina que nos faria dar um tiro no meio da testa ou pular na jugular - é um sentimento comum a muitos de nós. Todo mundo já passou por isso pelo menos uma vez na vida, mas claro, temos freio e limites morais que nos impedem de sair matando por motivos fúteis. Mas esse não é o caso de Lindy, a protagonista dessa trama inusitada. Ela tem um distúrbio neurológico raro que dispara uma sanha homicida: o garçom a irritou, o barulho do ambiente não agradou, lá vai ela dar uma chave de braço e uns belos sopapos, ou então matar sem dó nem piedade. Qualquer pessoa já esteve à beira de um ataque de nervos por coisas mínimas, daí a identificação imediata com a personagem, e a inevitável vontade de agir como ela e poder se safar.

Para poder ter um mínimo de convivência social, Lindy usa um colete cheio de eletrodos que ela aciona quando tem os acessos  (“jolt” quer dizer choque, sacudida) para que o choque neutralize seus impulsos. A historinha sangrenta, que sem o acessório aconteceria, se passa só na mente de Lindy e nos olhos do espectador, o que dá a dimensão de quão perigosa ela pode ser. Quando ela finalmente se apaixona por um “date”, esse cara aparece morto de forma misteriosa e vai tudo por água abaixo, já que o afeto poderia curá-la. Ela então parte numa missão vingativa ao mesmo tempo em que é perseguida pela polícia como principal suspeita.

O longa tem uma premissa incrível, que se bem desenvolvida, teria rendido um filmaço que passeia entre a ação e a comédia, mas o resultado final ficou aquém das expectativas. A psiquê dos personagens tem um potencial imenso que não é explorado e deixa uma interrogação, assim como a trajetória de Lindy que é apenas pincelada rapidamente. Outro lapso é a mudança brusca da protagonista, de assassina fria ela cai de amores por um estranho em uma noite e sai pra vingar sua morte; de onde teria surgido tanto sentimento em uma psicopata? 

A trama é bem acelerada, com muita violência gráfica e vibe de história em quadrinhos, toques esses que divertem. O elenco é estelar: Kate Beckinsale, Laverne Cox, Bobby Cannavale, Stanley Tucci e Susan Sarandon. Beckinsale é expert em bons filmes de ação como “Anjos da Noite”, “Van Helsing” e “Contrabando” - o que a deixa  bem à vontade no papel de Lindy. Ela é uma “femme fatale” loira, descolada, com visual meio punk  e  voz rouca; em alguns momentos a peruca usada pela atriz soa um tanto falsa, mas mesmo assim ela não perde a pose de sedutora ninja. As lutas são muito bem coreografadas em meio a explosões e perseguições alucinantes - Lindy tem uma força sobrenatural que a faz imbatível mesmo diante de uma corja de assassinos da máfia russa. 

Embora a história tenha vários furos entusiasma pela protagonista, pelo clima britânico cool, pela ação e boas piadas. A revelação final é previsível como em filmes do gênero e deixa um gancho para uma possível sequência. Se ela vai existir, só a Amazon dirá.


Vale Ver!



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