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'Escolha ou Morra': um apanhado de boas ideias com uma execução vacilante | 2022

NOTA 6.0

Por Rafa Ferraz @issonãoéumacrítica 

A estratégia da Netflix de lançamento semanal é comprovadamente um sucesso comercial, porém se por um lado movimenta a indústria, por outro, essa aposta na quantidade muitas vezes resulta no detrimento da qualidade, com tramas formulaicas e de execução genérica. Entretanto, mesmo havendo essa evidente tendência ao popular, o movimento afeta particularmente os projetos de horror, sendo esse um gênero com raríssimos bons exemplos na gigante do streaming. ‘Escolha ou Morra’ não chega a ser um desastre e até apresenta boas ideias, protagonistas convincentes e atmosfera razoável, mas é de desenvolvimento irregular, extremamente derivado e ritmo sofrível.

No longa acompanhamos Kayla (Iola Evans) que passando por dificuldades familiares e financeiras se depara com um misterioso jogo de aspecto retrô cujas consequências quando iniciado são aterradoras, contudo, motivada pela recompensa de mais de 100 mil dólares, se une a seu amigo Isaac (Asa Butterfield) em busca do prêmio.

A sensação de assistir algo padrão não é exatamente um problema, afinal originalidade não é sinônimo de qualidade e o clichê só existe porque funciona. Dito isso, o enredo é sim um apanhado de cenas requentadas, todavia é o mal aproveitamento das ideias o real demérito. Começando pela progressão narrativa que começa interessante apresentando excelente premissa, mas as resoluções e consequências das escolhas são simplórias e previsíveis. As linhas de diálogo também não ajudam, com trechos beirando ao ridículo em falas expositivas e bobas como: “Olhe, cabos elétricos. Eles devem dar em algum lugar, não?”

Mas nem tudo são falhas e o elenco tem bom entrosamento, as motivações são reais e a dinâmica apesar de não tão provida de química, tem corpo o suficiente para uma torcida pelos jovens e como em qualquer outro terror, se importar com os personagens é essencial. Os enquadramentos fazem bom uso das sombras, e os efeitos práticos ajudam muito a dar realidade aquele universo tornando tudo mais palpável, o que é muito raro hoje em dia uma vez que a procura pelo CGI quase sempre é uma saída por ser mais fácil e barato.

Dirigido por Toby Meakins, ‘Escolha ou Morra’ é como um ‘Escape Room’ vintage que tenta ser ‘Jogos Mortais’, mas erra os dois alvos por não ser ‘oitentista’ o suficiente a ponto de despertar nostalgia nem gore na medida certa, já que não sustenta o foco nas cenas de maior impacto visual, gerando na melhor das hipóteses uma aflição passageira. Contudo, está longe de ser o pior filme do ano, e é uma pena estar ainda mais distante de ser o melhor.


Vale Ver Mas Nem Tanto!




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