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“De Volta ao Baile” faz rir com contraste entre gerações | 2022

NOTA 7.0

Por Karina Massud @cinemassud 

Stephanie é uma adolescente que dedica boa parte do seu tempo tentando ser popular e muito amada por todos. No final do colegial, prestes a ser rainha do baile de formatura e ter uma vida perfeita, ela sofre um acidente que a deixa em coma por 20 anos. Quando ela acorda está com 37 anos e tem que lidar com o desafio de ser uma mulher madura com cabeça de adolescente, e de encarar um mundo completamente diferente, politicamente correto e vivido no virtual, porém igualmente competitivo. Stephanie é uma “millenial” que desperta num mundo dominado pela “geração Z”, ela quer retomar de onde parou mas agora ela virou “cringe”, uma antiquada que  paga mico pros mais jovens. 

A “geração dos Millenials” (aqueles nascidos no começo dos anos 80 até o final dos anos 90) viveu o nascimento da tecnologia e as grandes transformações mundiais. O politicamente correto e sua patrulha incessante ainda não existiam, podia-se sensualizar um pouco, paquerar e comer o que você quisesse sem ser julgado. A divisão na escola era cruel, ou você era popular ou era excluído, e o bullying era inevitável aos que não se encaixavam no padrão definido pelos descolados. 

Já a “geração Z” (os nascidos a partir de 2000) é a geração digital, eles tem dificuldades de fazer amigos e sair da frente do celular. Suas expectativas são pautadas nas redes sociais onde tudo é perfeito: pessoas cronicamente felizes, ricas, amadas, com pele de revista, roupas lindas e viagens incríveis. E essa ânsia por cada vez mais seguidores, curtidas e por essa vida dos sonhos gera uma frustração infinita, pois vidas assim não existem no mundo real. O contraste dessas duas gerações domina a atmosfera divertida da nova comédia da Netflix “De Volta ao Baile”.

Rebel Wilson (“Megarromântico”, “As Trapaceiras”) vive a Stephanie adulta, e apesar de um certo excesso de caretas e dancinhas repetitivas, ela é engraçada e beira o ridículo sem pudores - afinal 20 anos lhe foram tirados forçadamente e ela tem que compensar de alguma forma, nem que seja aos tropeços. A atriz Angourie Rice (“Dois Caras Legais”, “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa”) está ótima como a Stephanie jovem, até mais carismática que Rebel Wilson, pois faz rir sem esforço.

O longa tem a direção correta de Alex Harcastle, que imprimiu um ritmo bem dinâmico à narrativa, com a protagonista traçando seus planos minuciosamente antes e depois do coma: aprender a dançar, a se maquiar; conquistar o gato mais disputado da escola; vencer a disputa da coroa de rainha do baile de sua arqui-inimiga; ser popular, ser popular e ser popular a qualquer custo.

A adaptação da protagonista aos novos tempos, o paralelo e as piadas inteligentes com ambas as gerações tiram “De Volta ao Baile” do lugar-comum das tantas comédias adolescentes lançadas – não há julgamento, “essa é melhor que aquela”, apenas uma comparação inteligente e hilária. Detalhes que somados ao roteiro leve, ao ótimo elenco e trilha sonora, tornam o filme diversão garantida pra toda família, e reafirmam Rebel Wilson como estrela de comédias românticas.


Vale Ver!



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