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'Não se Preocupe, Querida' : para além das polêmicas, novo projeto de Olivia Wilde tem muito a dizer | 2022

NOTA 7.5

Pequenas Tretas, Grandes Negócios

Por Rafa Ferraz @issonãoéumacrítica 

Desde o anúncio do lançamento de ‘Não se Preocupe, Querida’, o longa vem sendo alvo de comentários que geraram repercussão mundial, entretanto, pouco se falou dos aspectos cinematográficos uma vez que os noticiários destacavam única e exclusivamente as polêmicas envolvendo o elenco e a diretora Olivia Wilde. O conteúdo desses fatos daria um texto à parte e não há qualquer intenção neste de se aprofundar neles, contudo é de se lamentar o ocorrido já que, embora desequilibrado e com sérios problemas de ritmo, a nova produção da Paramount carrega uma mensagem poderosa.

Na trama acompanhamos Jack (Harry Styles) e Alice (Florence Pugh), um casal morador da pacífica comunidade de Victory, localizada no meio do deserto e comandada pelo charmoso Frank (Chris Pine). A vida parece perfeita, até que Alice presencia um comportamento estranho de uma das moradoras, levando-a a questionar toda realidade a sua volta e a descobrir que nem tudo é o que aparenta ser.


Os anseios da classe média americana é uma temática com muitos trabalhos memoráveis e em múltiplas artes ao longo da história, dentre elas temos os textos de Silvia Plath, poetisa e romancista norte-americana cuja obra parecia inspirar a premissa de ‘Não se Preocupe, Querida’, ou pelo menos é o que o material promocional fez parecer, porém, mesmo com o drama cotidiano e as angústias da protagonista em evidência, a narrativa ganha contornos mais drásticos, caminhando em direção ao thriller psicológico, com direito a passagens de delírio, estranheza e confusão que culminam em um clímax final no mínimo controverso.

A estética da obra é encantadora. Desde a fotografia até o design de produção, tudo parece milimetricamente pensado de modo a nos imergir na comunidade e absorver toda a atmosfera de tensão presente no ar. Já a trilha sonora de John Powell, apesar de eficaz, por vezes passa do ponto e é constantemente manipulativa. As interpretações têm altos e baixos, com o lugar mais elevado reservado para a grande Florence Pugh, que projeto após projeto se firma como grande jovem estrela que é. Chris Pine está num piloto automático de sorrisos e discursos, todavia lhe sobra carisma. Harry Styles continua tentando, mas permanece como um ator que é um ótimo cantor.

Difícil mensurar o quanto o que foi dito ou visto por trás das câmeras ajudou na divulgação do filme e ainda mais difícil nesse contexto, distinguir marketing de realidade. Entretanto, é facilmente perceptível toda problemática exposta, entre elas (e talvez a maior delas) o ressentimento masculino diante de uma realidade que se sobrepõe cada vez mais às estruturas tóxicas de poder que apesar de fadadas a extinção, resistem e mantém raízes profundas na nossa sociedade até os dias de hoje. Fatos que Olivia Wilde coloca para consideração e, para além de qualquer fofoca, estão neles a verdadeira discussão a ser feita. 


Vale Ver!



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