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'Nas Ondas da Fé' : Marcelo Adnet vai às origens da comédia com hilária e corajosa sátira das Igrejas evangélicas | 2022

NOTA 8.0

Por Eduardo Machado @históriadecinema 

Não é segredo para ninguém que o grande filão do cinema nacional são as comédias com atores globais. São elas que conseguem levar o grande público ao cinema e angariar bilheterias importantes, como fez por exemplo, o excelente Paulo Gustavo, com “Minha Mãe é uma Peça”, que, do seu modo, conseguiu competir bem com as superproduções internacionais e lotar salas de cinema Brasil afora.

Embora diminua o peso, o fato de ser uma comédia não tem o condão, entretanto, de, exclusivamente eliminar as dificuldades. Não por outro motivo, no evento de lançamento de “Nas Ondas da Fé”, Marcelo Adnet, que cumulou a condição de estrela do filme com a de produtor, destacou a imprescindibilidade de convencer o público a assistir ao filme na primeira semana, de maneira que ele possa fazer frente a blockbusters como Avatar. Mas o mais legal de “Nas Ondas da Fé”, é que ele não tem medo da concorrência e arrisca em sua sátira.

Não é preciso ir longe para entender os riscos que o filme corre se enveredar para o caminho da intolerância religiosa. Ora, rápida leitura da sinopse entrega que se trata de uma obra na qual o protagonista é homem humilde, com pouca ou nenhuma instrução religiosa, que, repentinamente, se torna um guru para milhares de pessoas e, consequentemente, uma máquina de ganhar dinheiro para si e para Igreja. Se vivemos em um país em que 1/3 da população é evangélica, como contar essa história sem ofender tanta gente? Talvez não seja possível e Adnet parece que não se deixa levar por tal preocupação focando justamente naquilo que é a função original da comédia: fazer as pessoas refletirem sobre si e ou eventos sociais por meio do riso.

O fato é que existem igrejas evangélicas que enriqueceram uma enormidade de pastores – Bispo Macedo e Silas Malafaia estão aí para não me deixar mentir – e brincar com isso é absolutamente natural. São pessoas conhecidas e, portanto, alvos fáceis. Associar, porém, o filme a um ataque às igrejas evangélicas é um erro na medida em que a crítica é à ganância e à corrupção dos homens que desvirtuam a fé alheia, o que, aliás, pode ser aplicado a todas as religiões.

Marcelo Adnet está hilário em um filme que é, sim, respeitoso com a fé cristã, mas crítico com aqueles que querem abusar dela.






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